A ABNT NBR 8036:1983 é a versão atual da norma brasileira que trata das considerações necessárias para elaboração de um programa de sondagem bem sucedido. Sendo assim, juntamente com a ABNT NBR 6484:2001,estabelece:

Quantidade de furos: o número de furos de sondagem está diretamente relacionado à projeção da construção (A), de modo que:

a) Um furo a cada 200 m2 para A ≤ 1.200 m2;

b) Um furo adicional a cada 400 m2 para 1.200 m2 < A ≤ 2.400 m2;

c) A combinar para A > 2.400 m2;

d) Dois furos para A ≤ 200 m2;

e) Três furos para 200 m2 < A ≤ 400 m2.

Locação

a) Os furos não devem ser distribuídos ao longo do mesmo alinhamento;

b) Os furos devem cobrir toda área em estudo;

c) A distância entre os furos deverá estar compreendida entre 8 m e 25 m.

Profundidade mínima

a) Critério da antiga NB-12:  h = C x B

  • h = profundidade de sondagem;
  • C = coeficiente que depende da carga média do edifício sobre o solo;
  • B = largura maior do retângulo de menor área que envolve a construção.
CARGA MÉDIA (tf/m2)C
< 81,0
9 – 151,5
16 – 202,0
> 20a critério
Coeficiente C, conforme REBELLO, 2008.

b) Critério de parada de sondagem da ABNT NBR 6484:2001.

Em todo caso, como alerta REBELLO, 2008, deve-se ter certeza de não estar atravessando uma região particular do solo em que haja grande atrito que induza uma parada equivocada.

De acordo com SCHNAID e ODEBRECHT, 2012, a abrangência de uma campanha de investigação depende de fatores relacionados às propriedades do meio físico, à complexidade da obra e aos riscos envolvidos, que, combinados, deverão determinar a estratégia adotada no projeto. Como procedimentos complementares, podem ser adotadas campanhas para retirada de amostras indeformadas para a realização de ensaios de laboratório, visando á determinação de parâmetros de resistência e deformabilidade. Sendo assim, um programa de investigação bem concebido, que resulte na avaliação precisa dos parâmetros constitutivos do solo, pode resultar na otimização da relação custo/benefício da obra.

Bibliografia

ABEF – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES E GEOTECNIA. Manual de Execução de Fundações e Geotecnia – Práticas Recomendadas. São Paulo: PINI, 2012.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6484: Solo – sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio. Rio de Janeiro, 2001.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8036: programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios. Rio de Janeiro, 1983.

ALONSO, U.R. Previsão e controle das fundações. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 1991.

BOTELHO, M.H.C.; CARVALHO, L.F.M. Quatro edifícios, cinco locais de implantação, vinte soluções de fundações. São Paulo: Blücher, 2015.

CINTRA, J.C.A.; AOKI, N.; TSHUA,C.H.C.; GIACHETI, H.L. Fundações: ensaios estáticos e dinâmicos. São Paulo: Oficina de Textos, 2013.

MORAES, M. C. Estruturas de fundações. São Paulo: McGraw-Hill, 1976.

REBELLO, Y.C.P. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate Editora, 2008.

SCHNAID, F.; ODEBRECHT, E. Ensaios de campo e suas aplicações à engenharia de fundações – 2 ed . São Paulo: Oficina de Textos, 2012.

VELLOSO, D.A.; LOPES, F.R. Fundações, Volume 1 – 2 ed . São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

Eng. Me. André Luís L Velame Branco
Projetista, Professor e Consultor de Cálculo Estrutural

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