Vários são os fatores que interferem no processo de formação e desenvolvimento das fissuras e não obstante essa influência pode aparecer de diversas maneiras no cálculo da abertura das fissuras, por meio das formulações empíricas propostas.

Grau de aderência entre o concreto e o aço:

O número de fissuras de uma peça é diretamente proporcional ao grau (qualidade) de aderência entre o aço e o concreto, ao passo que a abertura das fissuras é inversamente proporcional. Sendo assim, uma peça que possui boa aderência tem maior número de fissuras, porém com aberturas bastante reduzidas, já que a aderência impede o deslocamento relativo entre as barras de aço e o concreto. Com aberturas reduzidas, essas fissuras não propiciam corrosão das barras da armadura.

Nesse sentido, o coeficiente de conformação superficial da barra é uma propriedade de extrema importância, de forma que a aderência proporcionada pelas barras nervuradas é muito superior que a das barras lisas ou apenas ranhuradas.

Tensão na armadura longitudinal:

É a tensão produzida por qualquer força de tração capaz de fissurar a peça que está sendo solicitada. Pode ser calculada pela razão entre o valor da força de tração e a área da seção transversal de barras de aço na seção fissurada. Um aumento em seu valor proporciona aumento na abertura das fissuras. A ABNT NBR 6118:2014 propõe duas formulações derivadas do conceito básico de fissuração.

Diâmetro das barras de aço

O diâmetro de uma barra está intimamente relacionado com a sensibilidade à corrosão da mesma, por isso deve-se, em peças de concreto armado, utilizar barras de diâmetro superior a quatro milímetros. A sensibilidade das barras exige um controle maior contra a fissuração, reduzindo os valores limites. Em peças de concreto protendido o controle é mais rigoroso, pois as armaduras trabalham sujeitas a altas tensões, o que aumenta a sensibilidade.

Taxa de armadura

Para que a armadura possa absorver com segurança as tensões de tração transferidas pelo concreto, é necessário que seja determinado um valor de armadura mínima capaz de resistir às tensões causadas por um momento fletor de mesma grandeza que o momento de fissuração, aquele responsável pela primeira fissura. A taxa de armadura deve ser maior ou igual a da armadura mínima.

Em peças sujeitas a coação, as armaduras mínimas são necessárias nas juntas de construção tracionadas e em zonas da estrutura onde a retração, a temperatura, ou outras ações possam provocar tensões de tração elevadas, em virtude de impedimentos às deformações impostas. Em suma, a armadura mínima deve atender à condição de fragilidade e limitar a abertura das fissuras a valores-limites especificados.

Para os elementos estruturais fletidos, a ABNT NBR 6118:2014 propõe um valor para o momento mínimo, a ser utilizado na determinação da armadura mínima, que depende do módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo à fibra mais tracionada (Estádio I) e da resistência característica à tração superior do concreto. Alternativamente, em casos especiais, a norma permite a utilização de taxas de armaduras tabeladas, porém nunca com valores inferiores a 0,15%.

Área dos tirantes fictícios

Tirante fictício é a denominação dada à área do concreto que envolve a barra da armadura tracionada. Quando se consegue distribuir com eficiência as barras nessa área de concreto obtém-se o melhor controle de fissuração, segundo muitos estudiosos do assunto. Para garantir a formação da área dos tirantes fictícios, pode ser utilizada uma espessura de cobrimento de concreto igual ao diâmetro da armadura.

Bibliografia

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto – Procedimentos. Rio de Janeiro, 2014.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado – Especificação. Rio de Janeiro, 2007.

ARAÚJO, J. M. Projeto estrutural de edifícios de concreto armado. Rio Grande: Editora Dunas, 2009.

CHUST, R. C; FIGUEIREDO FILHO, J. R. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto armado, Vol.1, 4ª edição. São Carlos: EDUFSCar, 2014.

BOLINA, F. L.; TUTIKIAN, B. F.; HELENE, P. R. L. Patologia de estruturas. São Paulo: Oficina de Textos, 2019.

FUSCO, P. B. Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 1995.

MACHADO, A. P. Reforço de estruturas de concreto armado com fibras de carbono. São Paulo: PINI, 2002.

SOUZA, V. C.; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas. São Paulo: PINI, 1998.

THOMAZ, E. Trincas em edifício: causas, prevenção e recuperação. São Paulo: PINI, 1999.

LEONHARDT, F. Construções de concreto, volume 4. Rio de Janeiro: Interciência, 1979.

 

Eng. Me. André Luís L Velame Branco Projetista, Professor e Consultor de Cálculo Estrutural

Pela proposta de valor diferenciada oferecida pela ALL VELAME Projetos de Estruturas, existe um amplo leque de potenciais projetos locais e em outros estados e regiões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *